
Mateus Horta
Tudo que fingi que fiz e nunca mais farei
A partir de nossas memórias, compomos os elementos que nos fazem acreditar ser quem somos. Juntamos fragmentos que passam por nossas interpretações pessoais e os internalizamos buscando reconhecer os significados da palavra “eu”. Mas, até que ponto são reais as memórias que nos definem? Quais os critérios que usamos para dizer “eu sou assim” ou “esse sou eu”? E quais são símbolos escolhemos para formar nossa identidade?
Em “Tudo o que fingi que fiz e nunca mais farei” a memória é tratada com desconfiança. Pressupõe-se que toda lembrança está sujeita a alteração. Ou seja, utilizamos de um passado que sofre modificações constantes para construir nosso presente e preenchemos de significado uma trama de informações que, unidas, participam de uma individualidade condizente, única e exclusivamente, ao mundo interno de cada sujeito.
Partindo destas memórias, atuamos de acordo com aquilo que nos identificamos. Adaptamos, ao longo do percurso, as narrativas do passado que confirmam as definições pessoais do presente. Quem somos hoje, depende de quem fomos ontem e de como enxergamos esse eu do passado, correspondendo também com as novas significações atribuídas ao ser atual.
Utilizando a fotografia e o vídeo como recursos para o registro de fragmentos imagéticos, a obra cria um paralelo entre memória e representação, buscando entender e expor os elementos que, juntos, compõe uma gama de informações possíveis de serem associadas a um ser individual. Portanto, o artista convida o público a participar diretamente dessa construção de memórias, possibilitando a alteração contínua e conjunta desses símbolos que se referem a um passado em perpétua construção. -Mateus Rossi Terralba Horta
Exposição submetida ao edital 2019 realizada nos dias 18 a 29/11.
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